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Histórias do CD/EP Parte lll: Paixão Pela Vida

É a música que dá nome ao álbum.

Após uma conversa com o presidente da câmara municipal de Torres Vedras, Carlos Bernardes, falámos na possibilidade de haver uns CD’s de natal para os trabalhadores da câmara. Em Novembro, na Gala “Porco d’Ouro” 2017 no Pavilhão Multiusos de Torres Vedras, ele encontrou-me a tocar no welcome drink e disse “então Ricardo, tudo bem? Estou a contar com os CD’s para este natal” e eu fiquei sério e ele tranquilo ?.

Não tinha quase nada acabado, haviam temas por gravar e outros que faltava muita produção, vozes e instrumentistas… fui trabalhando noutros projetos e deixando o meu para trás, sem pressão…até aquele dia! Pensei “Mas que grande embrulhada em que eu estou metido”. Ainda nessa noite liguei ao Elton e disse-lhe que tínhamos de acabar o CD/EP porque havia malta a contar com ele ainda para aquele ano e não havia tempo a perder. De imediato juntei-me com o Elton, começámos a trabalhar forte nos temas que iam ficar no álbum. Enquanto isso tinha a Ana Esteves a dar o máximo para: encontrar o melhor sítio para a reprodução mecânica do disco, SPA e todas as burocracias. O Manel Mourão estava comigo; como seria o Design? fotos novas para o álbum?… Os timings eram apertados, não deu para pensar muito. Fomos tirar fotos com o Chacal… levei algumas roupas da Blast Clothing, um patrocínio conseguido naquela semana. Fora isso, tudo foi improvisado…encontrei um banco de autocarro e uma mala de viagem antiga escondido na garagem do Luís, e fiz um cenário! Começamos a fotografar e uns simpáticos supermodelos apareceram: os cães do Luís… tiveram de ir diretos para … a Capa do Álbum!!!

 A história do tema Paixão Pela Vida,

Estávamos em estúdio, já tínhamos feito a base e gravado a melodia do saxofone, quis meter voz, pensei no Tó Cruz numa onda Rap tipo Boss AC, com que Tó tão familiarizado está, por cantar com o AC desde sempre. O Tó na altura estava com mudanças em casa e não conseguia mesmo vir, estava completamente entalado. A música tinha mesmo de ficar acabada em dois dias.  Todo o álbum tinha ainda de ser masterizado pelo Sassa Nascimento e seguir para reprodução mecânica. Havia prazos a cumprir para o álbum estar pronto no jantar de Natal da CMTV. Como o Tó Cruz não podia, repensei tudo. Fiz umas chamadas e lembrei-me de um rapaz brasileiro, o Papo Reto, com quem eu já tinha tocado na banda do Ciro Cruz. Foi campeão do mundo de batalha de improviso RAP no Brasil. É um rapper bastante famoso, cheio de talento na improvisação de letra. Basicamente achei que ele era a pessoa ideal para isso, então falei com ele, que estava em casa tranquilo, numa vibe assim acima da estratosfera… perguntei-lhe “então amanhã podemos gravar?” e ele respondeu “claro que sim! Bora lá”.  Na altura fiquei na dúvida se aconteceria ou não… ?

No dia a seguir levantei-me cedo e liguei-lhe a perguntar se estava tudo certo, e ele disse-me para o ir buscar à Graça. Na Graça estava um ambiente pesado, não muito familiar… assim que o encontrei reparei que ele estava com a sua namorada, Brenda que acabou por vir connosco para estúdio.

No caminho meti a música Paixão pela vida no carro… E ele disse “tenho aqui uma letra” – aquilo era tipo “ela fala pa caral*o mas não ouve o que eu digo”- aí, agradeci o seu empenho mas decididamente que não era a linha que queria… comecei então a dar um routing para ritmo e poesia, contei-lhe um pouco da história da minha vida, da minha paixão pela vida.. de ter muito gosto em fazer as coisas bem, e ser muito esforçado. Enquanto isto a Brenda começou a cantarolar a melodia do Sax no banco de trás. Perguntei-lhe “Brenda, mas tu sabes cantar?”, e ela disse que não sabia muito bem, mas que gostava muito. E eu estava a gostar da voz dela. Entretanto chegamos aos Underground Studio, avancei com o Papo Reto para gravar assim que a letra ficou na linha que pretendia, deixei-o à vontade, porque sei que qualquer bom artista funciona bem livre. Alguns ajustes… e finalizámos a parte dele em 3 takes ?.

Surpresa para todos, gostava mesmo de ter um refrão cantado neste tema, aí lembrei-me: “Brenda, anda aqui cantar” e ela assustou-se e não queria nada gravar, não estava confiante. Tentamos uma primeira vez…e o produtor: “epá, isto não está a dar”, ela não estava a conseguir cantar no tom certo, com a afinação necessária, mesmo tendo uma grande voz não conseguia controlá-la. Eu tive de dar a volta aquilo… Eu dizia para ela descontrair o pescoço meter-se á vontade sem pressão e a malta toda a rir…  Juntei-me a ela para tentar gravar e a malta no estúdio estava doida. Era o Pestana e o Elton “opá, ó Ricardo, vamos lá despachar isto, não vai dar… não vai dar”. Pedi ao Elton um loop do refrão, metemos a gravar, eu ia cantando à frente dela. Até que ela conseguiu realmente fazer a malha e ficou gravado para sempre. Foi brutal!

Curiosidade das curiosidades, este tema cheio de aventuras e contrariedades foi o tema que deu nome ao álbum!

Ás vezes um pequeno empurrão involuntário pode ajudar-nos a finalizar muitos objectivos pessoais!

 

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