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Histórias do CD/EP Parte l: Inicio e Turn It Up!

Olá a todos! 🙂

Antes de mais, espero que estejam todos bem e tenham tido um natal formidável juntos daqueles que mais gostam e sempre com energias muito positivas! Desta vez escrevo-vos de uma forma um pouco diferente do habitual. Digamos que resolvi oferecer-vos um presentinho – um pouquinho depois do tempo, é certo – mas que acho que vão gostar bastante 🙂 É nada mais nada menos do que a revelação das histórias por detrás dos temas do meu primeiro álbum, o EP “Paixão Pela Vida”. Espero que gostem!

O inicio de toda a ideia por trás deste projeto remonta a 2015, quando estava em tour com o Anselmo Ralph e o Elton Ribeiro, que era o diretor musical, falou-me, enquanto estávamos no sound check a fazer melodias gostosas em cima de harmonias quentinhas, “Porque que não tens um álbum? Porquê que não fazes umas músicas?”. E disse-lhe “epá, eu adorava fazer isso, desde sempre que quis fazer, mas… Ainda não me sinto preparado…”. Ao que ele respondeu “mas isso, nunca vai haver altura certa! Tens de fazer e pronto”.

Aceitei o desafio e combinamos um dia. Fui ter ao estúdio que ele tinha, que era o Kapuera Studio.  Nós a cada dia fazíamos uma música. Curiosidade – a primeira música de todas que fizemos foi a Saudade.

O nosso ritual diário era, de manhã começávamos a construir uma base e depois à tarde, depois de belos almoços chegávamos, gravávamos e tentávamos finalizar os projetos. Encontrávamo-nos praticamente toda as semanas, e a cada dia que nos encontrávamos fazíamos uma música. Na realidade tenho para aí umas 10 ou 12 músicas que nós fizemos, mas só 3 é que pusemos no álbum EP…

Quando comecei a fazer as coisas muito tranquilamente e sem grandes pretensiosismos, não tinha a mínima ideia do trabalho que podia dar e todas as aventuras que eu ia ter só por ter começado algo assim.

A minha banda foi escolhida através de uma grande simbiose com músicos que eu conhecia e amigos que fui buscar a outras bandas. Na altura o Miguel Casais estava em Black Mamba e convidei-o logo. O Elton Ribeiro, naturalmente, porque estava comigo em Anselmo Ralph. O Bruno Duro também estava comigo em Anselmo Ralph na altura. O João Pestana conheci-o na Ericeira e ele tinha grande energia e foi um dos grandes impulsionadores para eu ter começado a Whitesax Band. Eu dizia “não sei se começo, não sei se não”, e o gajo “epá tu vais e bora lá, curto bué tocar contigo”.

E pronto, juntei estes músicos, do melhor nível que temos em Portugal. E quando tínhamos ensaios eu ficava sempre em êxtase e pensava “que orgulho ter esta banda comigo”. E só para que saibam, foram tempos que recordo com a maior satisfação possível!

  1. Turn It Up!

Estávamos na última semana de dezembro de 2016 e eu queria muito gravar e estava ali com uma brecha de disponibilidade na agenda, então juntei a minha banda, Whitesax Band, e disse “bora lá, eu tenho aqui algumas ideias para uns temas, bora juntar-nos e fazer aqui alguma coisa”.

musica turn it up, produzida pelo saxofonista ricardo brancoEntão tivemos uma manhã e tarde a ensaiar. E então tivemos de roda de umas músicas, mas aqui não estava a sair muito bem – por acaso era o “In your eyes” e começámos com aquilo, mas não estava bem “na cena” ainda – o Tó Cruz também estava connosco já, a tentar escrever umas letras, mas as coisas não estavam a sair. Então fomos almoçar aqui por Vila Franca do Rosário. Quando voltámos, meti umas ideias de uma música que eu achava piada do Gerald Albright e então o que é que acontece…? Eu começo assim com umas piadinhas do tipo “esta música… temos de pensar em cenas assim um bocadinho mais sensuais e quentes” e eu ia dizendo umas parvoíces e o Bruno ia ficando assim meio “wow” e a dizer “não digas isso”, assim meio tímido com a cena. E o resto da banda toda a apertar “granda cena, bora lá, bora lá fazer isso”. Mas na verdade com essa parvoíce a energia contagiante ia fazendo com que a malta ficasse cada vez mais animada. E pronto, chegámos ao Turn it up V1.0! Na altura a música tinha uma letra completamente diferente, mas na verdade nós portugueses a escrever letras de músicas em inglês nunca fica com a vibe original americana que idealizamos.

Nesse dia fizemos duas ou três músicas, e pronto, tudo tranquilo. Cada um foi à sua vida, mas eu fui matutar naquilo… Por acaso nesse momento o Skyler Jett entrou em contacto comigo. Para quem não conhece ele é um músico famosíssimo Americano, que já ganhou um Grammy com a música  “My Heart Will Go On” no filme Titanic da Céline Dion, substituiu Lionel Richie nos Commodores, escreveu e trabalhou para  Whitney Houston, Al Jarreau, Kenny G… entre outras, as melhores bandas do mundo. Ele tem uma experiência invejável… Nesse dia mandou-me uma mensagem, cujo assunto já não me recordo, e eu disse-lhe que estava de roda de uns temas para um álbum. Ele disse logo “epá, tens de gravar isso e se quiseres eu ajudo-te!”. E eu disse “mas nós vamos gravar já!” – que era a última de dezembro e ele continuou “mas se quiseres eu vou aí e tratamos disso”. Então basicamente arranjei forma de contar com ele e com o Sylvester Brooks – que era produtor que e estava a fazer a produção do “Goodbye My Love” tema original do Skyler, que queria que eu gravasse. Tudo acordado e o Skyler veio a Portugal!

Com a chegada do Skyler começa logo alta aventurazorra. Irrompe pelo aeroporto com o seu chapéu de cowboy e é logo festa no aeroporto. “Então bora lá fazer as cenas!”, disse ele. Chegámos ao estúdio e havia espectativa… Ele começa a pensar no Turn it up!, que era uma música que nós estávamos a trabalhar. Ele ouve como é que aquilo estava a ficar, arranja uma letra, que acabou por ser a que ficou. Nós contagiámos o estúdio todo com aquela energia, todos os músicos, as Patrícias… foi uma festa enorme dentro do estúdio: tudo louco! E a gente a cantar para os coros: toda a malta do estúdio foi lá cantar, foi alta animação e foi um grande momento!

Depois veio uma segunda fase, em que eu achei que a música tinha muito poder e tinha que fazer um videoclip para aquilo. Mais uma coisa que eu não tinha a mínima ideia do trabalho que ia ter: o trabalho de produção, ou seja, arranjar figurantes, escolher as pessoas, arranjar um argumento, ter uma história… consegui ajuda do Samuel Alves que é ator, e é um grande amigo meu, para fazer essa questão da história. O Videógrafo Pedro Dias foi incansável e teve um trabalho excecional dos mais profissionais que eu já apanhei.

Foi uma trabalheira enorme que envolveu uma logística…! Comida para as pessoas – durante a tarde e durante a noite. As gravações foram todas feitas num dia: a tarde na piscina e a noite no Mau Maria, para conseguir gravar as cenas iniciais do videoclip. Uma parte fixe da gestão foi escolher quem iam ser as personagens principais e quem é que ia fazer o filme… Mas a magia principal foi mesmo o ter de lidar com todos os imprevistos e jogar para que todas as coisas funcionassem bem.

Magias como o flamingo que a Sofia Gião trouxe no carro acabar por ser ícone daquele verão e capa do single, o Skyler voar para aparecer no vídeo, o Tatanka juntar-se á festa e ser figurante, comprar um sax de plástico para gravar dentro da piscina. Epá, toda a gente ajudou, os meus pais ajudaram, a Ana Esteves que era a minha manager da altura ajudou imenso também, muitos amigos que se juntaram – não consigo enumerar todos, mas passem nos créditos de youtube do Turn it up! Eles merecem ?

Mesmo o “engage” de publico para criar “momentum”: o Manuel Mourão estava a trabalhar no design e a nós fizemos um engage de pessoas no facebook muito bem trabalhado.

Fiz basicamente tudo de forma muito autodidata, embora aconselhado com os melhores nas mais diversas áreas, pois desde a produção à promoção eu nunca tinha feito nada. E para mim foi um teste grande para ver como as coisas funcionavam e como é que podiam vir a funcionar. Mesmo como ator, nunca tinha gravado nada, ou seja, estava lá ainda meio tímido no início a gravar e não estava com o à-vontade que se calhar gostaria (preocupado com imensos detalhes: atenção a tudo, agir, coordenar, pedir, processar, aprender…)  …quando olho para o resultado final do Turn it up digo que foi dos maiores marcos que tive. A nível profissional e pessoal fez-me perceber quem eram os meus amigos e pessoas próximas, e quem se calhar não interessava tanto.

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